Sobre o PRÉNATAL

O PRÉ NATAL.

Um dos procedimentos médicos ricos  em  dificuldades, exuberante em particularidades e cercado de complicações é o acompanhamento das gestantes. Não vou discorrer academicamente, até pela complexidade do tema, torna-se mesmo aos médicos de outras especialidades inóspito e cansativo.

Meu objetivo é atentar para o REAL VALOR do PRÉ NATAL, e que não vem sendo observado e ao mesmo tempo negligenciado pela SAÚDE no Brasil.

Primeiro, quem deve REALIZAR O PRÉ NATAL?

O MÉDICO, conforme a LEI Nº 12.842, DE 10 DE JULHO DE 2013 que dentre diversas determinações diz o seguinte: “a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças”.

E que fique bem claro, somente o MÉDICO é habilitado legalmente e tecnicamente para realizar o PRÉ NATAL.

Resolvi abordar este assunto pois recentemente tenho atendido em meu consultório particular pacientes que iniciaram atendimento a gestação e decidiram buscar um acompanhamento profissional.

E para minha surpresa diante de exames que não foram solicitados, exames que não necessitavam ser solicitado, orientações completamente desnecessárias e situações altamente complexas praticadas por NÃO MÉDICOS, decidi orientar todas as GESTANTES e assim lutar por um atendimento digno, competente e técnico.

Vamos ao alerta:

  1. Ao iniciar seu PRÉ NATAL, verifique se o MÉDICO que a atende tem CRM (Registro no conselho de Medicina) e para saber da autenticidade entre no site cfm.org.br e digite o número e você vai ver o seu médico.
  2. Não aceite outro profissional que não seja MÉDICO, pois apesar de se auto intitularem prenatalistas ou obstétricos, este profissionais não são médicos e são colaboradores no processo de atendimento MÉDICO: Apesar do Artigo 3º da Lei 12.842 falar em colaboração mútua, entendam que é uma ação multidisciplinar. Cada um realiza o que sua competência define ou estabelece. Claramente exposta no Artigo 4º  que define “São atividades privativas do médico:”
  3. Somente o MÉDICO CONSULTA, alguns procedimentos são relativos a EQUIPE MULTIDISCIPLINAR como verificação do peso, pressão, temperatura e outros. Nunca solicitação de exames, verificação de exames, prescrição ou procedimentos invasivos.
  4. “II – indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios;” Esta referência da Lei 12.842 é incontestável na sua essência, SOMENTE AO MÉDICO COMPETE A RESOLUÇÃO DA GESTAÇÃO.

Uma das coisas que deixaram descontente as pacientes que me procuraram foi o fato de terem recebido as seguinte informação: SE O PARTO FOSSE SIMPLES, não seria atendida por MÉDICO e outras que vieram do interior do estado em fuga das CASAS DE PARTO, pois na observação das pacientes o risco seria muito grande já que não tinha MÉDICO OBSTETRA, MÉDICO PEDIATRA e MÉDICO ANESTESISTA, e se quer uma UTI.

Conclusão: Fazendo uso do jargão popular, “O PARTO É MEU” a paciente tem o direito e o dever de exigir que desde o início do seu acompanhamento o MÉDICO esteja presente.

Voltando ao PARTO SIMPLES: Simplesmente não existe, pois qualquer parto pode complicar a qualquer momento e até chamarem um MÉDICO vai ser tarde.

Este texto é simples, a linguagem voltada para leigos e se alguém quiser discutir ou contestar, que o faça na mesma medida, pois se for ACADEMICAMENTE, terei também a maior satisfação em responder.

Belém, 13 de junho de 2019.

Leituras recomendadas:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12842.htm

https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/pareceres/BR/2018/2_2018.pdf

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