Meus agradecimentos

Agradecer!

Meus queridos amigos, trabalhamos juntos , na nossa  equipe de médicos a mais de uma década, outros a menos tempo, mas quase todos os dias operamos juntos, fazemos partos juntos, acordamos de madrugada para atender nossos pacientes.

Vou contar para vocês minhas angustias e minhas preocupações, não com o propósito de buscar uma opinião ou mesmo solução, apenas dividir com vocês o que me deixou triste e arrasado no dia 10 de julho de 2019.

Somos massacrados diariamente por preços aviltantes praticados pelos convênios e planos de saúde, onde as vezes dá vontade de responder aquele telefonema as 3:00 horas da madrugada e dizer, olhe, me mande os seus dados bancários que pago o dobro que o seu plano de saúde vai me pagar para atender só para eu continuar dormindo por mais umas 3 horas.

Mas não, nunca fiz isto, e o dia que eu for fazer, eu encerro minha carreira de médico. Naquele exato momento que o paciente passar a representar valor e não a satisfação do dever cumprido.

Vamos falar das gestantes que acompanhamos todos juntos, o pediatra que fica quase o mesmo tempo ao lado da paciente, durante seu trabalho de parto, para receber o recém-nascido. O anestesista que também é chamado para fazer a analgesia de parto ou a anestesia quando é o caso de uma emergência ou até mesmo uma urgência. E o colega que nos assiste durante o ato cirúrgico para poder realizarmos o perfeito atendimento a gestante. Agora vou contar um segredo para vocês, tem convênio que não paga cem Dólares Americanos por uma cesariana.

Alguns vão dizer que não é verdade, mas coloco minha declaração de imposto de renda para que todos contemplem quanto muita das vezes recebemos para prestar um serviço tão diferenciado e que demandou anos, mas coloca anos nisso, de aperfeiçoamento e estudo.

Vamos passar para os profissionais mais baratos este atendimento, como quer a TELEMEDICINA. O Médico fica numa ponta da linha e um profissional quase médico do outro atende e vai tirando as dúvidas. Você consegue imaginar o ponto catastrófico no que pode se tornar este atendimento? Não? Pois vamos lá, você compra uma passagem para você e seus familiares, numa companhia aérea mais barata, cujos pilotos treinaram muito nos simuladores e em aeromodelos. Mas na cabine ele tem uma linha de comunicação com a terra e que na outra extremidade existe um PILOTO que vai passar todas as orientações para ele.

Quer dizer que você não vai mais viajar? Por que? Já sei, vai que ocorra uma perda de comunicação e o avião resolva cair junto?  Ou mesmo uma falha conceitual entre um lado e outro que vê uma situação como um problema e na verdade o problema é a situação. Infelizmente a Companhia Aérea Vale da Morte informa a queda da sua Aeronave com a morte de seus 347 ocupantes, inclusive de todos os tripulantes.

Mas temos uma boa notícia, a equipe de terra não morreu, o dono da companhia está mais rico, pois o seguro cobriu as perdas com o sinistro e só os familiares que ficaram, vão chorar a perda dos parentes, e levar décadas para receber uma mísera indenização.

Mas isto não acontece, pois ninguém viajaria numa Companhia Aérea neste moldes.

Mas, para não fugir do meu agradecimento, quero deixar claro que preciso muito de vocês, sem os quais não poderia realizar meu trabalho, e obrigado por se submeterem a esta exploração por parte dos convênios e planos de saúde, pois sempre que eu chamo, vocês vem correndo e imediatamente, sem questionar ou mesmo reclamar qualquer coisa ou valor.

Que DEUS os abençoe eternamente.

Sobre o PRÉNATAL

O PRÉ NATAL.

Um dos procedimentos médicos ricos  em  dificuldades, exuberante em particularidades e cercado de complicações é o acompanhamento das gestantes. Não vou discorrer academicamente, até pela complexidade do tema, torna-se mesmo aos médicos de outras especialidades inóspito e cansativo.

Meu objetivo é atentar para o REAL VALOR do PRÉ NATAL, e que não vem sendo observado e ao mesmo tempo negligenciado pela SAÚDE no Brasil.

Primeiro, quem deve REALIZAR O PRÉ NATAL?

O MÉDICO, conforme a LEI Nº 12.842, DE 10 DE JULHO DE 2013 que dentre diversas determinações diz o seguinte: “a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças”.

E que fique bem claro, somente o MÉDICO é habilitado legalmente e tecnicamente para realizar o PRÉ NATAL.

Resolvi abordar este assunto pois recentemente tenho atendido em meu consultório particular pacientes que iniciaram atendimento a gestação e decidiram buscar um acompanhamento profissional.

E para minha surpresa diante de exames que não foram solicitados, exames que não necessitavam ser solicitado, orientações completamente desnecessárias e situações altamente complexas praticadas por NÃO MÉDICOS, decidi orientar todas as GESTANTES e assim lutar por um atendimento digno, competente e técnico.

Vamos ao alerta:

  1. Ao iniciar seu PRÉ NATAL, verifique se o MÉDICO que a atende tem CRM (Registro no conselho de Medicina) e para saber da autenticidade entre no site cfm.org.br e digite o número e você vai ver o seu médico.
  2. Não aceite outro profissional que não seja MÉDICO, pois apesar de se auto intitularem prenatalistas ou obstétricos, este profissionais não são médicos e são colaboradores no processo de atendimento MÉDICO: Apesar do Artigo 3º da Lei 12.842 falar em colaboração mútua, entendam que é uma ação multidisciplinar. Cada um realiza o que sua competência define ou estabelece. Claramente exposta no Artigo 4º  que define “São atividades privativas do médico:”
  3. Somente o MÉDICO CONSULTA, alguns procedimentos são relativos a EQUIPE MULTIDISCIPLINAR como verificação do peso, pressão, temperatura e outros. Nunca solicitação de exames, verificação de exames, prescrição ou procedimentos invasivos.
  4. “II – indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios;” Esta referência da Lei 12.842 é incontestável na sua essência, SOMENTE AO MÉDICO COMPETE A RESOLUÇÃO DA GESTAÇÃO.

Uma das coisas que deixaram descontente as pacientes que me procuraram foi o fato de terem recebido as seguinte informação: SE O PARTO FOSSE SIMPLES, não seria atendida por MÉDICO e outras que vieram do interior do estado em fuga das CASAS DE PARTO, pois na observação das pacientes o risco seria muito grande já que não tinha MÉDICO OBSTETRA, MÉDICO PEDIATRA e MÉDICO ANESTESISTA, e se quer uma UTI.

Conclusão: Fazendo uso do jargão popular, “O PARTO É MEU” a paciente tem o direito e o dever de exigir que desde o início do seu acompanhamento o MÉDICO esteja presente.

Voltando ao PARTO SIMPLES: Simplesmente não existe, pois qualquer parto pode complicar a qualquer momento e até chamarem um MÉDICO vai ser tarde.

Este texto é simples, a linguagem voltada para leigos e se alguém quiser discutir ou contestar, que o faça na mesma medida, pois se for ACADEMICAMENTE, terei também a maior satisfação em responder.

Belém, 13 de junho de 2019.

Leituras recomendadas:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12842.htm

https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/pareceres/BR/2018/2_2018.pdf

Cremesp notifica Ministério Público e Conselhos de Odontologia pela prática ilegal da Medicina por profissionais não médicos

http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=NoticiasC&id=5312

“(…) Frente a esses fatos gravíssimos, que podem se configurar em exercício ilegal da Medicina, e à possível infringência da Lei 5.081/1966, que regula o exercício da Odontologia, o Cremesp solicitou, nos ofícios enviados aos Conselhos e ao MP-SP, investigação urgente das condutas desses profissionais, que, se comprovadas, estarão colocando em risco a saúde da população.”

CFM comemora “vitória” contra os médicos. É o rabo abanando o cachorro…

CFM comemora “vitória” contra os médicos. É o rabo abanando o cachorro…
Por Francisco Cardoso

Autarquia federal sustentada com o tributo anual pago por 450.000 médicos, o CFM comemora em suas redes sociais a “vitória” na Justiça que negou pedido de liminar de um sindicato médico para suspender a fatídica Resolução 2227/18 – telemedicina.

Em que pese o pedido de liminar do sindicato ter sido, em minha opinião, precipitado, pois ainda está cedo para isso uma vez que a norma ainda não está em vigor, ou seja, encontra-se em vacatio legis e portanto não há perigo iminente de dano ou periculum in mora, a ação do sindicato representa indubitavelmente o anseio da vasta maioria da categoria médica que clama por alguma coisa que faça essa traição do CFM ser interrompida.

*Por isso é inusitado ver o CFM, isolado em seu palacete de marfim cercado de um córrego de insanidade, soltando fogos e comemorando o que na verdade representa uma derrota para os médicos. *

Do alto dos seus pedestais de madrepérola, a diretoria do CFM não enxerga ou não liga para a ofensa que vem causando à categoria a quem este Conselho nasceu para cuidar da boa prática, da ética e regular condutas.

Quando empresários da saúde aplaudem o CFM e este aplaude derrota dos médicos, é sinal de que o Castelo onde julgam os vivos e os mortos perdeu qualquer conexão com a realidade e com a categoria.

*É mais uma traição deste CFM contra a categoria, assim como em 2013 quando em um acordo espúrio com Alexandre Padilha, o então Presidente do CFM Roberto D’Avilla traiu a categoria e chancelou o acordo pela aprovação do Mais Médicos em Lei. *

Depois de passarem 5 anos enchendo o país de novos médicos, cubanos e outros formados sem revalidação , agora jogam todos na vala do desemprego com a telemedicina de araque para plano de saúde ver.

Esse ano as traições do CFM terão um basta. Os médicos não irão perdoar o que está feito a eles

Internações e novas cirurgias estão suspensos no Hospital Maternidade do Povo II

http://www.mppa.mp.br/noticias/internacoes-e-novas-cirurgias-estao-suspensos-no-hospital-maternidade-do-povo-ii.htm

A suspensão foi uma deliberação do MPPA em conjunto com os órgãos fiscalizatórios ante a constatação de que as condições físicas e sanitárias do hospital estão em desacordo com as normas de saúdeBELÉM 12/02/19 16:19 

Mediante orientação do Ministério Público do Estado, órgãos fiscalizatórios determinaram nesta terça-feira (12) à Direção do Hospital Maternidade do Povo II a suspensão de algumas atividades. A medida se deu após a constatação de que as condições físicas, hospitalares, sanitárias e operacionais da maternidade estão em desacordo com as normas de saúde.

O Hospital Maternidade do Povo II teve suspensos a internação de novas pacientes, o agendamento de novas cirurgias, do programa de vacinação, tendo em vista, o acondicionamento irregular das vacinas e a mudança da realização de exames de teste da orelhinha para a sede da Maternidade do Povo I, até que sejam sanadas todas as irregularidades.

 Na manhã desta terça-feira (12) o Ministério Público realizou fiscalização no hospital Maternidade do Povo II. A vistoria, que foi realizada pela 3ª Promotora de Justiça da Saúde, Fabia de Melo-Fournier, em conjunto com técnicos do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI) do MPPA, equipes  do Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (DEVISA/SESMA) e do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde Pública do Pará (DVS/SESPA), teve por objetivo avaliar aspectos operacionais, sanitários e estruturais daquela unidade de saúde.
 

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Ao longo da vistoria graves desconformidades foram constatadas, como ausência de farmacêutico e de enfermeiros no hospital, que funcionava no momento com apenas dois obstetras, para realizar as cesarianas, fazer admissão das gestantes e atendimentos de urgência e emergência, tudo isto, aparentemente, funcionando sem o devido registro.

Ao entrevistar as pacientes que ali se encontravam para atendimento, constatou-se que em sua maioria eram provenientes de outros municípios e ali se encontravam por indicação de terceiros ou encaminhadas por seus próprios municípios. O bloco cirúrgico não possui os equipamentos de praxe para garantir a intervenção emergencial, inclusive as pacientes eram submetidas a cirurgia sem monitoramento do hospital.
 
Os bebês de mães diferentes ocupavam o mesmo berço e a identificação era feita pela técnica de enfermagem grafando o nome da mãe em fita crepe, colada diretamente no pulso do nascituro. Não havia material para higienização química dos instrumentos utilizados no bloco cirúrgico e foi encontrado para uso na CME material com esterilização vencida, dentre outros. O hospital funcionava sem licenciamento.    

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Na oportunidade, a Vigilância Sanitária do município, com o apoio do MPPA, procedeu à entrega de auto de infração à direção do Hospital, em virtude de inadequações verificadas em fiscalização ocorrida no mês de outubro de 2018 e que aquela administração vinha se recusando a receber. 

A iniciativa do MPPA ocorreu no âmbito do Inquérito Civil Nº 000050-125/2013 SIMP, instaurado para acompanhar as providências adotadas pelo hospital Maternidade do Povo Filial para garantir uma melhor prestação do serviço de saúde aos seus usuários.

Texto e fotos: 3ª Promotora de Justiça da Saúde